**Sanjaya disse: Ó descendente da dinastia Bharata, ó Rei! Quando Arjuna, o conquistador do sono, assim falou, o Senhor Sri Krishna, o Onisciente, tendo estacionado o excelente carro entre os dois exércitos, diante de Bhishma, o avô, e Drona, o mestre, e na presença de todos os reis, assim falou: 'Ó Partha, contempla estes Kurus aqui reunidos.'**
**1.24. Comentário:** **'Por Gudakesha'** – A palavra 'Gudakesha' tem dois significados: (1) 'Guda' significa encaracolado ou enrolado, e 'kesha' significa cabelo. Aquele cujo cabelo da cabeça é encaracolado, ou seja, crespo, é chamado 'Gudakesha'. (2) 'Gudaka' significa sono, e 'isha' significa senhor. Aquele que é o senhor do sono, significando aquele que pode tomar o sono ou não — aquele que tem controle sobre o sono, é chamado 'Gudakesha'. O cabelo de Arjuna era crespo e ele tinha domínio sobre o sono; portanto, ele é chamado 'Gudakesha'.
**'Assim dirigido'** – O Senhor ouve as palavras daquele devoto que não é escravo do prazer do sono e da indolência, que não é escravo dos gozos sensoriais, mas é unicamente um servo (devoto) do Senhor; não apenas Ele ouve, mas também obedece ao seu comando. Portanto, ao receber o comando de seu amigo e devoto Arjuna, o Senhor Sri Krishna, o Onisciente, estacionou o carro de Arjuna entre os dois exércitos.
**'Hrishikesha'** – Os sentidos são chamados 'Hrishika'. Aquele que é o Isha, o senhor, dos sentidos é chamado Hrishikesha. A intenção de usar 'Hrishikesha' no vigésimo primeiro verso e aqui é que Aquele que é o impulsionador da mente, intelecto, sentidos, etc., aquele que comanda a todos, esse mesmo Senhor Onisciente tornou-Se aqui aquele que obedece ao comando de Arjuna! Quão imensa é Sua graça sobre Arjuna!
**'Tendo estacionado o excelente carro entre os dois exércitos'** – No espaço vazio entre os dois exércitos, o Senhor estacionou o excelente carro de Arjuna.
**'Diante de Bhishma e Drona e todos os governantes da terra'** – O Senhor, com habilidade notável, estacionou aquele carro em um lugar de onde Arjuna pudesse ver diante de si Bhishma, o avô, ligado por laços familiares; Drona, o mestre, ligado pelo vínculo do conhecimento; e os principais reis do exército Kaurava.
**'Falou: Ó Partha, contempla estes Kurus aqui reunidos'** – O termo 'Kuru' inclui tanto os filhos de Dhritarashtra quanto os filhos de Pandu, porque ambos são descendentes da dinastia Kuru. A intenção de dizer 'contempla estes Kurus reunidos' é que, ao ver estes Kurus, um sentimento deveria surgir dentro de Arjuna de que somos todos um! Quer pertençam a este lado ou àquele lado; quer sejam bons ou maus; quer sejam virtuosos ou perversos — todos são meus próprios parentes. Consequentemente, o apego familiar cheio de possessividade que jazia oculto dentro de Arjuna se tornaria despertado, e com o despertar desta ilusão, Arjuna se tornaria um inquiridor, para que, usando Arjuna como instrumento, os grandes ensinamentos da Gita pudessem ser dados para o bem-estar dos seres futuros na Kali Yuga — é com esta mesma intenção que o Senhor disse aqui: 'Contempla estes Kurus reunidos'. Caso contrário, o Senhor poderia ter dito: 'Contempla estes filhos de Dhritarashtra aqui reunidos'; mas dizer isso teria despertado um espírito de luta em Arjuna, e assim a oportunidade para a manifestação da Gita não teria surgido! Nem a ilusão familiar adormecida dentro de Arjuna teria sido removida, que o Senhor considera Sua responsabilidade remover. Assim como quando um furúnculo aparece, os médicos primeiro tentam amadurecê-lo, e quando amadurece, eles o incisam e o limpam; da mesma forma, o Senhor primeiro desperta a ilusão oculta dentro do devoto e depois a erradica. Aqui também, o Senhor está despertando a ilusão oculta dentro de Arjuna ao dizer 'Contempla os Kurus', que Ele mais tarde destruirá através de Seus ensinamentos.
Arjuna havia dito: 'Deixa-me vê-los' – 'Que eu possa observá-los' (1.22) e 'Que eu possa olhar' (1.23); portanto, não havia necessidade de o Senhor dizer aqui: 'Contempla' (tu vê). O Senhor deveria ter meramente estacionado o carro. No entanto, o Senhor, tendo estacionado o carro, disse especificamente 'Contempla os Kurus' para despertar a ilusão de Arjuna.
Há uma grande diferença entre o afeto familiar e o amor divino. Quando há afeto possessivo na família, nem sequer se consideram as falhas da família; antes, permanece o sentimento de que 'eles são meus'. Da mesma forma, quando o Senhor tem amor especial por um devoto, o Senhor nem sequer considera as falhas do devoto; antes, permanece o sentimento de que 'ele é somente meu'. No afeto familiar, a ação e o objeto (corpo, etc.) são primários; no amor divino, o sentimento é primário. No afeto familiar, a ignorância (ilusão) é primária; no amor divino, a intimidade é primária. No afeto familiar há escuridão; no amor divino há luz. No afeto familiar, a pessoa torna-se negligente com o dever; no amor divino, devido à absorção, pode haver esquecimento em cumprir o dever, mas um devoto nunca se torna negligente com o dever. No afeto familiar, os membros da família são primários; no amor divino, o Senhor é primário.
**Conexão:** No verso anterior, o Senhor disse a Arjuna para contemplar os Kurus. O que aconteceu depois disso é descrito por Sanjaya nos versos subsequentes.
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